03/07/2013 - Por Victor Hugo  
  Sertão baiano visto por um clique  
  Divulgação
 
 
Ao ver ninguém presente no horário combinado para a oficina de fotografia, no primeiro momento, veio à mente uma sensação de invalidez e sensações pejorativas. Por não haver uma obrigação de pontualidade, optamos por esperar alguns minutos. Em seguida, chegaram duas meninas que receberam o convite pessoalmente no dia anterior.

Decidimos aproveitar essas meninas para chamar amigas e amigos das respectivas para conseguir um número maior de pessoas participando. Elas voltaram para chamar e retornaram com um número de 8 adolescentes, sendo 7 meninas e um menino, que já fora convidado por nós no nosso primeiro dia de projeto.

Começamos com uma introdução usando fotos com falhas bruscas, como enquadramento super ruim, fotos muita claras e muito escuras, etc. Todo o processo foi intencional. Tiramos fotos assim para ver se era possível despertar um senso nos participantes. As fotos foram passando na tela do computador e questionávamos para eles sobre a qualidade das imagens. Alguns tinham receio de responder, não sei se era vergonha de falar algo errado, se era chato ou complicado demais essa parte de análise.

Após expormos as fotografias, começamos a explicar o funcionamento da máquina, nomes e funções das ferramentas da câmera. As crianças pegaram as máquinas na mão e puderam ver os exemplos citados por nós de uma forma mais abrangente. Era nítido um olhar mais interessado de algumas, não que outras não estivessem, pois em qualquer ensinamento se tem um interesse maior em algumas partes.

Terminando os slides e explicações fomos ao fundo do lugar em que estávamos reunidos para praticar o que foi falado. De cara eles perceberam que algo estava errado em relação à luz e enquadramento. Mas, na hora, não sei se lembravam como fazia. Nosso objetivo era, na prática, ativar a percepção deles para ver o que estava errado e mostrar a função para corrigir o erro.

Eles pegaram o jeito muito fácil, inclusive não paravam de tirar fotos entre si, ou de nós e do que viam. A coordenadora da área de comunicação, professora Camila Cabello, deu a ideia de irmos ao açude fotografar. A caminhada até o local foi acompanhada por uma seqüência de fotos. É incrível como eles gostaram tão rápido da coisa. O açude é um lugar com uma geografia muito linda e com possibilidades de fotos boas, pois tudo onde se olha é uma foto na mente, tanto para mim que estava lá pela primeira vez, como para eles, que viam cores e coisas que antes não haviam percebido, como os pássaros que sobrevoavam o lugar.

Antes da viagem, eu havia visto uma foto de uma igreja que hoje é um patrimônio cultural aqui de Canudos. Perguntei para o único menino que participou da oficina se ele sabia onde era. Ele disse que era perto de onde estávamos, a Camila falou para irmos até lá ver. Impressionante era pouco para descrever o lugar, mesmo composto só por ruínas, a paisagem era enorme. Por incrível que pareça tinha ainda muito verde e água, não é à toa que este lugar é tão vigiado. Foi inacreditável o modo que os participantes da oficina olhavam para um espaço que estava tão próximo deles e ao mesmo tempo era desconhecido, já que eles tiveram a oportunidade de criar um novo olhar com a câmera na mão. Chegava a hora do pôr-do-sol e as cores do lugar eram ainda mais incríveis. O vermelho do sol se refletia nas nuvens e o amarelo formava imagens com silhuetas.

Estávamos a uma distância significativa de onde partimos. O sol já se escondia. Para fechar a oficina tiramos uma foto de todos reunidos.

Essa experiência não se trata apenas de um projeto social, mas também um aprendizado de cultura incrível.
 
 
     
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