04/07/2014 - Por Letícia Pacheco Porangaba, estudante de odontologia da Universidade Metodista de São Paulo  
  Valor as coisas simples  
  FOTO Janaina Marquesini
“Estar aqui era o que eu precisava para começar
minha vida profissional de forma mais humana e consciente”
 
 
Não tem como voltar pra casa da mesma forma que viemos. Antes de chegar aqui eu esperava encontrar algo completamente diferente de São Paulo, mas cheguei e percebi que as coisas não eram tão difíceis assim. Esperava coisas bem piores. A realidade ainda é precária, porém se nota uma melhora que atribuo a atuação do Projeto Canudos que tem uma grande contribuição.

Trabalhando em clínica, percebi que muitos pacientes vieram com uma condição melhor do que as encontradas nas outras edições. Deu para perceber com os levantamentos de dados anteriores.

Quanto a experiência é muito bom, porque a faculdade limita a quantidade de pacientes. Já aqui a demanda de pessoas precisando de tratamento odontológico é muito grande. Em algumas situações ainda nem estudamos a matéria, mas aqui surgiu a necessidade e temos que fazer. É uma experiência única, ganhei uma prática enorme voltando para São Paulo. Isso devido a quantidade de pacientes, tipos diferentes e idades.

Outro ponto que me chamou atenção foi o cultural. É tudo muito diferente, o jeito que eles falam que eu quase não entendia nada. Nosso vocabulário é totalmente diferente. Uma menina queria dizer que estava com aflição e disse “gingi”, foi complicado decifrar o que ela estava sentindo. Nosso vocabulário é outro, nossas comidas são diferentes. Isso proporciona um aprendizado diário. Cada dia que eu acordo, aprendo algo novo.

Na casa da minha mainha eu me sinto muito à vontade. É como se eu já estivesse preparada para estar lá pois fui muito bem recepcionada. Até mesmo faço coisas como se estivesse em minha casa. Conto sobre a minha vida e eles contam sobre a deles. Me perguntam como se vive em São Paulo e fazem muitas perguntas.

Aqui tive uma reflexão muito forte sobre a água. Na minha casa eu deixo a água correr, aqui eu fecho o chuveiro várias vezes durante o banho. Me adaptei e durante todos os banhos eu refleti. Essa experiência mudou minha relação com o uso da água.

Durante a visita domiciliar, entrei numa casa muito simples. A moça guardava a escova de dente dela no buraco do tijolo. Tinha uma criancinha em condições super difíceis. A mãe era uma menina de 18 anos. Pensei primeiro na saúde desta família, mas percebi que são felizes do jeito que vivem.

Eu sempre gostei de ajudar as pessoas, mas nunca tive noção de como ajudar. Quando eu cheguei aqui percebi que a profissão que escolhi, área da saúde, é vital. Percebi que as pessoas precisam muito do nosso carinho e a maioria não tem condições de pagar por nosso trabalho.

Hoje eu tirei a conclusão que independente de continuar ou não aqui vou querer ajudar as pessoas. Lavar a alma aqui totalmente é maravilhoso. É ter a sensibilidade, senso de prioridade, é não esperar ninguém mandar para fazer as coisas. É ainda, é ter a chance de nos colocar no lugar dessas pessoas. Se tenho a oportunidade de estudar, porque não levar meu conhecimento a elas? A consequência disso vem depois e de outra forma. Se converterá em coisas boas. Eu mudei completamente meu modo de agir e de pensar.

Pareceu coisa de filme. Quando cheguei eu fiquei assustada, começamos a ir nos lugares e me senti em outro mundo.

Mas o que fica são as coisas belas como o lindo o pôr do sol, muito diferente de São Paulo que só tem poluição e sujeira. O que vou lembrar pra sempre são das cabras, das hortas no fundo das casas, mesmo que só de tempero e que os moradores se orgulham tanto de mostrar. Da curiosidade que as pessoas da comunidade têm sobre nós, e como demonstram interesse em aprender.

Conheci uma senhora de 65 anos que só sabe escrever pois quando era criança não pode estudar e hoje tem dois filhos formados, são professores. Mesmo diante de todas as dificuldades ela tem interesse em aprender, disse que tem mais facilidade com letras de forma. É tanta simplicidade que chega ser impossível não se comover.

São carentes de afeto e ficam esperando nas portas das casas. É visível a mudança da aparência e da fisionomia deles, só por começarmos a conversar. Oferecem café e nos fazem pensar sobre as relações daqui e as de São Paulo como o respeito que os filhos têm com os pais que é coisa de outro mundo.Estar aqui era o que eu precisava para começar minha vida profissional de forma mais humana e consciente.
 
 
     
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